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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Crises do Capitalismo (David Harvey) RSAnimate - legendado
Entenda a atual crise do capitalismo em seu modelo neoliberal com essa animação criativa e bem elaborada.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
O perfeito imbecil politicamente incorreto | Carta Capital
Em 1996, três jornalistas –entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.
Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.
Texto de Cynara Menezes
Publicado originalmente em: O perfeito imbecil politicamente incorreto | Carta Capital
Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
Texto de Cynara Menezes
Publicado originalmente em: O perfeito imbecil politicamente incorreto | Carta Capital
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
As sacolinhas e a mentira ecológica
Fim das sacolas plásticas nos supermercados. A quem favorecerá essa mentira ecológica?
do leitor Roberto Monico Junior, via e-mail
Originalmente postato em viomundo.com.br
Governos estaduais e várias prefeituras já determinaram que os supermercados, a partir de 2012, não poderão oferecer a sacola plástica a seus clientes. Mas, por trás dessa história existe um lobby, que não é do conhecimento de quem facilmente comprou essa idéia. Eu também desconheço qual seja o lobby, muito menos o lobista, mas ele existe, é bem poderoso e persuasivo.
É obvio que a sacola plástica fica no ambiente por muitos anos e é de difícil degradação, mas não é um poluente perigoso, tóxico e via de regra, vai para os aterros sanitários. Mas vamos aos pontos que demostram a falácia da medida:
Acabar com a sacola plástica nos supermercados e demais comércios, não freará a demanda por esse tipo de produto, que será comprado pela população para acondicionar o lixo doméstico (o povo será penalizado, tirando a sacolinha do próprio bolso) – pois é essa a principal destinação do produto e, a coleta de lixo, pelo que eu saiba, não mudará e voltará para a situação anterior, quando o lixo era entregue à coleta em baldes e latões;
Substituir a sacolinha plástica por caixas de papelão nos supermercados é um tiro no pé da reciclagem de papel – o povo não recebe dos governos equipamentos para depósito de produtos recicláveis nem existe um trabalho de conscientização para a reciclagem, assim, a caixa de papelão vai para a casa do consumidor sem a certeza de reciclagem, com maior risco de se deteriorar e virar simplesmente lixo, o que no supermercado não ocorre nunca;
Substituir a sacolinha plástica por sacos de papel ou caixas de papelão aumentará a demanda por papel e novas plantações de eucalipto surgirão – o eucalipto acaba com a água do solo e degrada a terra agriculturável, avançando sobre as áreas de produção de alimentos;
Fazer diminiuir o lixo jogado nas ruas, inclusive as sacolinhas, é um trabalho de Educação Ambiental e não são elas que causam enchentes, como afirmam governos e meios de comunicação, mas a falta de investimentos, políticas públicas equivocadas e outros fatores que não cabem aqui ser discutidos.
Mesmo que toda a população compre sacolas de pano ou ráfia, ou use o saco de papel ou a caixa de papelão, a demanda por sacolinhas plásticas continuará firme e forte. Falta resolver a questão do acondicionamento do lixo e por isso essa medida propalada como ecológica se torna uma falácia total, pois fará aumentar a demanda por papel, truncará a reciclagem desse produto e as sacolinhas continuarão a existir para o armazenamento do lixo. Estranho não!?
E no rastro dessa medida insólita de se acabar com a sacolinha plástica, os governos estaduais e municipais não resolveram a questão da armazenagem do lixo, não fizeram nenhum trabalho de educação ou conscientização para a melhoria ambiental. E o ambiente de fato não vai melhorar, pois será ainda mais pressionado com a medida. Tudo muito estranho.
E mais estranho ainda é que as questões importantes relacionadas à poluição ambiental, as quais realmente devem ser tratadas e resolvidas, não o são. Os rios de São Paulo, por exemplo, continuam sendo os esgotos negros a céu aberto que fazem a Região Metropolitana feder. As chaminés de determinadas empresas, em dias nublados e na calada da noite, jogam intensa fumaça branca nos céus e os órgãos de fiscalização se fingem de mortos. Isso só para começar.
E por último, os penalizados com o fim da sacolinha serão o consumidor e o ambiente. Estranho, não? Para um político, essa seria uma medida impopular que não geraria dividendos políticos, mas eles foram com muita sede ao pote para aprovar o falso fim da sacolinha. Qual será o lobby? Quem será o lobista? Há algo de muito estranho no ar.
Atenção alunos: comentem, dêem suas opiniões, argumentem, concordem, discordem... não se esqueçam de colocar nome, número e série no final do comentário para que eu possa dar um ponto a mais na sua nota de participação.
do leitor Roberto Monico Junior, via e-mail
Originalmente postato em viomundo.com.br
Governos estaduais e várias prefeituras já determinaram que os supermercados, a partir de 2012, não poderão oferecer a sacola plástica a seus clientes. Mas, por trás dessa história existe um lobby, que não é do conhecimento de quem facilmente comprou essa idéia. Eu também desconheço qual seja o lobby, muito menos o lobista, mas ele existe, é bem poderoso e persuasivo.
É obvio que a sacola plástica fica no ambiente por muitos anos e é de difícil degradação, mas não é um poluente perigoso, tóxico e via de regra, vai para os aterros sanitários. Mas vamos aos pontos que demostram a falácia da medida:
Acabar com a sacola plástica nos supermercados e demais comércios, não freará a demanda por esse tipo de produto, que será comprado pela população para acondicionar o lixo doméstico (o povo será penalizado, tirando a sacolinha do próprio bolso) – pois é essa a principal destinação do produto e, a coleta de lixo, pelo que eu saiba, não mudará e voltará para a situação anterior, quando o lixo era entregue à coleta em baldes e latões;
Substituir a sacolinha plástica por caixas de papelão nos supermercados é um tiro no pé da reciclagem de papel – o povo não recebe dos governos equipamentos para depósito de produtos recicláveis nem existe um trabalho de conscientização para a reciclagem, assim, a caixa de papelão vai para a casa do consumidor sem a certeza de reciclagem, com maior risco de se deteriorar e virar simplesmente lixo, o que no supermercado não ocorre nunca;
Substituir a sacolinha plástica por sacos de papel ou caixas de papelão aumentará a demanda por papel e novas plantações de eucalipto surgirão – o eucalipto acaba com a água do solo e degrada a terra agriculturável, avançando sobre as áreas de produção de alimentos;
Fazer diminiuir o lixo jogado nas ruas, inclusive as sacolinhas, é um trabalho de Educação Ambiental e não são elas que causam enchentes, como afirmam governos e meios de comunicação, mas a falta de investimentos, políticas públicas equivocadas e outros fatores que não cabem aqui ser discutidos.
Mesmo que toda a população compre sacolas de pano ou ráfia, ou use o saco de papel ou a caixa de papelão, a demanda por sacolinhas plásticas continuará firme e forte. Falta resolver a questão do acondicionamento do lixo e por isso essa medida propalada como ecológica se torna uma falácia total, pois fará aumentar a demanda por papel, truncará a reciclagem desse produto e as sacolinhas continuarão a existir para o armazenamento do lixo. Estranho não!?
E no rastro dessa medida insólita de se acabar com a sacolinha plástica, os governos estaduais e municipais não resolveram a questão da armazenagem do lixo, não fizeram nenhum trabalho de educação ou conscientização para a melhoria ambiental. E o ambiente de fato não vai melhorar, pois será ainda mais pressionado com a medida. Tudo muito estranho.
E mais estranho ainda é que as questões importantes relacionadas à poluição ambiental, as quais realmente devem ser tratadas e resolvidas, não o são. Os rios de São Paulo, por exemplo, continuam sendo os esgotos negros a céu aberto que fazem a Região Metropolitana feder. As chaminés de determinadas empresas, em dias nublados e na calada da noite, jogam intensa fumaça branca nos céus e os órgãos de fiscalização se fingem de mortos. Isso só para começar.E por último, os penalizados com o fim da sacolinha serão o consumidor e o ambiente. Estranho, não? Para um político, essa seria uma medida impopular que não geraria dividendos políticos, mas eles foram com muita sede ao pote para aprovar o falso fim da sacolinha. Qual será o lobby? Quem será o lobista? Há algo de muito estranho no ar.
Atenção alunos: comentem, dêem suas opiniões, argumentem, concordem, discordem... não se esqueçam de colocar nome, número e série no final do comentário para que eu possa dar um ponto a mais na sua nota de participação.
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